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II CONGRESSO DO PTR-CcC Chileno
Realizou-se o II Congresso do PTR – Ccc

por : Clase contra Clase (Chile)

terça-feira 31 de julho de 2012

Por Juan Valenzuela, Clase Contra Clase , Pablo Torres, PTR Publicado originalmente em 18/07.


Nos dias 14, 15 e 16 de julho, realizou-se o II Congresso do Partido de Trabalhadores Revolucionários – Classe contra Classe. Reunidos num sindicato do setor alimentício na zona sul de Santiago, dezenas de delegados, quase 200 companheiras e companheiros militantes e convidados provenientes de Arica, Antofagasta, Valparaíso, Temuco e Santiago deliberaram durante três intensas jornadas neste congresso marcado pela enorme luta de 2011 protagonizada pela juventude. O congresso contou com a importante participação e enorme apoio do companheiro Christian Castillo, ex-candidato a vice-presidente da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores, e dirigente do Partido de Trabalhadores Socialistas (PTS) da Argentina, além do companheiro Fernando Scolnik da Juventude do PTS. Também participou ativamente o companheiro Marcelo Torres da Liga Estratégia Revolucionária pela Quarta Internacional (LER-QI) do Brasil, que no ano passado esteve por vários meses no Chile contribuindo com a intervenção revolucionária do PTR.

A crise mundial se agudiza e as novas oportunidades para os marxistas revolucionários

Iniciando com saudações internacionalistas dos distintos grupos da Fração Trotskista pela Quarta Internacional (FT-QI), corrente da qual somos parte, abrimos a discussão do primeiro dia sobre a situação internacional. Discutimos que a crise mundial de caráter histórico aberta a cinco anos, apesar dos massivos planos de resgate e mecanismos para que os capitalistas ganhem tempo, continua agudizando-se e ameaça com quebras maiores. A crise está se expressando em agudas crises políticas e novos fenômenos da luta de classes em todo o mundo, além do surgimento de novas disputas entre os imperialismos, em particular entre EUA e Alemanha. Na Europa, com os enormes ataques ao proletariado e a crise social de milhões de pessoas no mundo, está abrindo enormes brechas entre os partidos da burguesia e milhões de trabalhadores e pobres que começam a enfrentar os planos capitalistas com massivas greves e marchas, tendência a greve geral, não só na classe trabalhadora, mas na emergência da juventude em todo o mundo. Não só na Europa, mas nos EUA com a emergência do Occupy Wall Street, no Norte da África com as rebeliões populares que estão tentando desviar, na América Latina com novos processos de luta de classes, na China com o surgimento do proletariado industrial mais importante do mundo. Se reatualiza a época de crises, guerras e revoluções e abrem uma enorme oportunidade para que ao calor das lutas seja possível superar a crise moral e de subjetividade do proletariado resultantes do mal-chamado “socialismo real", e abre enormes perspectivas para que as ideias do marxismo abram caminhos na classe trabalhadora e permitam novas vias para a construção de partidos revolucionários de combate que lutem contra as burocracias sindicais e os novos fenômenos reformistas que buscam desviar as grandes batalhas com saídas burguesas para a crise. Portanto, se recoloca a necessidade de impulsionar uma ofensiva das ideias do trotskismo e dar novos passos na construção de correntes revolucionárias no movimento operário e da juventude como parte da luta pela reconstrução da IV Internacional.

A crise contida do regime e a massiva luta da juventude

Em 2011 no Chile, vivemos o proceso de luta de massas mais importante desde a ditadura e abriu um novo ciclo politico. Milhares de estudantes secundaristas e universitários, acompanhados de setores da classe trabalhadora e setores populares que apoiaram ativamente a luta como foi com os panelaços, desafiaram ao regime neo-pinochetista da Concertación e da direita. Essa enorme luta golpeou as bases do neoliberalismo no Chile e deixou no chão a aprovação das instituições do regime (governo, parlamento, partidos burgueses, justiça patronal, polícia, Igreja etc.) e o enorme rechaço da população a estes. O movimento estudantil emergiu como a única oposição política não só contra o governo direitista do empresário milionário Sebastián Piñera, mas também ao conjunto do regime de transição pactuada. É um regime debilitado, com crises nas alturas, com um governo que está com suas próprias fileiras desordenadas, com uma oposição centro-esquerdista também debilitada. Isso abre maiores oportunidade para a emergência dos explorados e oprimidos. A luta do ano passado mudou a o pensamento de milhões de pessoas e abriu novos processos de luta de classes: Aysén, Freirina e diversas batalhas nas universidades, colégios, nos bloqueios de rua, dos quais inicialmente começaram a entrar as lutas dos trabalhadores como vimos nas diversas greves nos últimos meses. A burguesia, por hora, reforçou a repressão e tenta introduzir novos mecanismos de repressão para frear o ascenso da luta de classes. Também se preparam para saídas estratégicas de auto-reforma no caso da novas lutas ameaçarem o domínio polítco dos empresários e seus partidos. O velho regime neo-pinochetista totalmente anacrônico é incapaz de responder às necessidades mínimas das massas e isso abre uma tendência explosiva que pode dar maiores saltos na luta de classes e permitir a entrada explosiva da classe trabalhadora. O grande limite para derrubar a herança pinochetista e abrir caminho a uma luta revolucionária são as direções de colaboração de classes, tanto do movimento estudantil como do movimento operário. O Partido Comunista, que dirige setores estratégicos do movimento operário e o ano passado foi a principal direção do movimento estudantil vem se integrando cada vez mais ao regime, em aliança com a Concertación e buscando conter as lutas para desviá-las pela via parlamentar o que lhes permite ganhar peso para sua negociação com o regime. A luta contra a burocracia estudantil e sindical de colaboração de classes que buscam frear o questionamento à herança pinochetista é um requisito fundamental para os novos desafios colocados.

Construir uma agrupação de centenas de jovens combativos e revolucionários para colocar abaixo a heranca pinochetista

O congresso discutiu sobre como deveriam se orientar os revolucionários trotskistas nesses cenários. A luta de 2011 fez surgir uma vanguarda na juventude com uma nova subjetividade, com uma nova disposição de luta, uma geração “sem medo” que se enfrenta com a polícia nas ruas, que odeia o regime e rechaça a política colaboracionista do PC e da burocracia estudantil, que começa a tirar suas lições e inicia um caminho de organização. Isso abre um enorme campo para que os revolucionários possam se fusionar com o melhor da vanguarda e dar uma batalha em comum contra as direções reformistas, autonomistas e populistas. O que permite importantes perspectivas para que possa emergir o trotskismo como uma alternativa revolucionária neste novo ciclo político aberto no país. Isso se expressa nas declarações de Carlos Larraín, presidente da Renovação Nacional (RN), partido do governo, ao mencionar o perigo do “trotskismo”. Buscamos que esse “fantasma” se transforme numa séria ameaça ao regime e possa emergir como uma corrente com peso no movimento operário e estudantil.

Nossa organização ainda não é um partido, somos uma liga de propaganda com traços de ação. Nesse marco, o congresso refletiu sobre que táticas e que meios buscar para nos ligar ao melhor dessa vanguarda na luta estratégica de construção de um partido revolucionário de combate. Que as tarefas de uma liga, nos colocam a necessidade de pensar diversas táticas e políticas audazes que permitam que o trotskismo possa emergir como uma corrente com peso no movimento operário e estudantil.

Dando conta disso, o congresso definiu revitalizar a “Agrupación Combativa y Revolucionaria (ACR)” surgida em 2011, com dezenas de ativistas independentes, em seu encontro nacional realizado na Casa Central da Universidade do Chile que estava ocupada, e no colégio A-90 que estava sob gestão dos estudantes, pais e professores. Em vários lugares onde atuamos durante o conflito, confluimos com dezenas e centenas de ativistas da luta. Hoje a vanguarda está dispersa buscando se organizar, enquanto ainda somos centenas de milhares que saímos a rua para nos manifestar contra o governo e o regime. Como podemos ser uma contribuição para que todos os que queriam a gratuidade agora e colocaram suas energias nas ocupações, marchas, lutas contra a polícia, para que todos os que desconfiaram da mesa de diálogo entre Confech e o governo, possam se reorganizar, enquanto a burocracia tenta desviar tudo para o parlamento? Com o objetivo de avaçar nisso, decidimos revitalizar a ACR, com encontros locais, regionais e um nacional que possa agrupar centenas de companheiras e companheiros numa militância em comum que se proponha a acabar com a herança pinochetista e enfrentar as políticas do reformismo e o atonomismo que tentam levar as batalhas a colaboração com os partidos patronais. Uma agrupação que nucleie o melhor desses milhares de estudantes combativos secundaristas, universitários e também jovens trabalhadores que buscam abrir o caminho enfrentado a herança da ditadura.

Os que participaram da lista “Seguimos de Pé” da USACH junto a Javiera Márquez que teve 2 mil votos, triunfando sobre a Juventude Comunista, os lutadores do A-90 como Cristóbal Espinoza que levaram adiante a experiência de auto-gestão tri-estamental, lutadores da Filosofia e Humanidades da Universidade do Chile como Bárbara Brito que deram impotantes batalhas pela auto-organização, ou a referência do rap, Zonyko, que expressou o sentimento de milhares ao ritmo do ip-hop e as bandas das ocpações, se propuseram a buscar as vias para conformar uma grande corrente política que combata o reformismo e os coletivos populares. Uma batalha estratégica para que possa emergir o trotskismo e transformar-se numa séria ameaça para os empresários e seus partidos. Essa é a tarefa do período: grupar centenas ou milhares de jovens combativos que possam disputar setores massivos do reformismo, do populismo para que a juventude junto a classe trabalhadora seja capaz de mandar à história toda a herança da ditadura de Pinochet.




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