FT-CI

IV Cúpula das Américas

Um novo revés para Bush

17/11/2005

Um novo revés para Bush

Por: Juan Andrés Gallardo
Fonte: La Verdad Obrera 175

A Cúpula das Américas que se realizou em Mar Del Plata terminou pela primeira vez, desde a primeira reunião em 1994, com uma declaração final dividida. Os debates sobre a pobreza, o trabalho e a fome ba região impulsionados pelo governo de Kirchner se desvaneceram no ar a pouco de começar a Cúpula quando o presidente mexicano Vicente Fox, como porta-voz direto dos EUA, incluiu na agenda o tema da área de Livre Comércio das Américas.

O governo dos EUA, que sofreu uma série de reveses na região , e se encontra debilitado pela perda de apoio ã guerra do Iraque, os desastres provocados pelo furacão Katrina e os escândalos no gabinete de Bush , conseguiu nos últimos meses avançar com a assinatura de um Tratado de Livre Comércio com os países da América Central e se dispõe a fechar um acordo similar com a Colômbia, Equador e Peru.

Como conseqüência do retrocesso de sua influência na região e impossibilitado para avançar de conjunto obtendo a hegemonia como a que gozou na década anterior, os EUA têm conseguido avançar com estes acordos bilaterais, gerando divisões nos países do continente, o que permitiu a Bush (que até umas semanas punha em questão a sua presença) chegar ã Cúpula com uma forte pressão para retomar as negociações sobre a ALCA.

O projeto original da ALCA estava sepultado há tempos e não se explica mais que por meio do incrível grau de servilismo das burguesias e os governos da região que os EUA possam voltar em meio ã sua crise a retomar este projeto de acordo hemisférico.

Bush conseguiu alinhar atrás de si a maioria dos países do continente, encabeçada por México, Panamá e Colômbia, entretanto apesar das “pressionadas” como a de Fox, que defendeu encerrar um acordo sem o Mercosul, não pôde evitar que a iniciativa fracassasse dando lugar a uma declaração dividida, na qual os países do Mercosul mais a Venezuela responderam com seu peso regional (75% do PIB da América do Sul), ainda que longe de “enterrar a ALCA” (como disse Chávez na Contra-cúpula) deixaram uma porta aberta, comprometendo-se a rediscutir o acordo comercial após as negociações sobre os subsídios agrícolas com os EUA na próxima reunião da Organização Mundial de Comércio de dezembro em Hong Kong. Assim o deixou claro a visita de Bush ao Brasil, onde o governo de Lula declarou que as relações entre Washington e Brasília estão “em seu ponto mais alto”.

Um Mercosul fortalecido?

Apenas terminada a Cúpula, o governo de Kirchner saiu rapidamente a dizer que o Mercosul se encontrava fortalecido após firmar um bloco sobre o ponto referido a ALCA. Entretanto este alarde não resiste ã menor prova. Para começar, no plano político a verdadeira Cúpula terminou recentemente com a visita de Bush ã Brasília, na qual em troca de um forte apoio ã gestão de Lula (em um momento em que o presidente brasileiro se encontra golpeado pelas recorrentes acusações de corrupção), este não só fez uma declaração diplomática a favor do “livre comércio” com os EUA, senão que, mais fundamental para os interesses norte-americanos, se comprometeu a atuar como líder regional para garantir a ordem na América do Sul.

Para Bush um aliado estratégico na região como Lula é crucial ante um possível governo de Evo Morales na Bolívia, pela instabilidade que atravessa este país.
Recordemos que é o Brasil quem dirige as tropas de missão no Haiti, que junto ás tropas argentinas e uruguaias cumprem um papel de polícia a serviço do imperialismo norte-americano, e que Kirchner e Lula cumpriram um papel de “advogados” das multinacionais petroleiras contra os trabalhadores e o povo da Bolívia durante os últimos levantamentos.

A localização do Brasil como líder regional, com o apoio aberto de Bush, que gera tensões com o governo argentino e a paralisação comercial que arrasta o Mercosul há algum tempo é um fator que também é aproveitado por Washington para “negociar” com os chamados sócios menores, Uruguai e Paraguai, com os quais mais se vêem claramente as fissuras do Mercosul. Enquanto o Paraguai acaba de votar o livre ingresso de marines ianques com imunidade diplomática abrindo a possibilidade para o estabelecimento de uma base militar norte-americana permanente em uma região estratégica para os EUA, Uruguai confirmou em meio ã Cúpula um convênio comercial direto com este país.

Neste marco o alarde kirchnerista de um “Mercosul fortalecido” não é mais que política ficção. Mais do se fortalecer, o Mercosul atravessado por diversas crises e tensões se converteu em uma débil plataforma defensiva, a partir da qual se aproveitam as burguesias dos países membros para negociar as condições do saque imperialista sobre nossos países.

As tensões regionais e o projeto “Sul-americanista”

As tensões que recorrem o subcontinente produto da pressão imperialista por recobrar hegemonia sobre seu “pátio traseiro” mostram que não há lugar, para além das declarações midiáticas, para nenhum tipo de projeto reformista de unificação regional encabeçado por estes governos.

Longe dos argumentos utilizados pelos reformistas e populistas que depositam sua confiança em uma unificação sul-americana da mão das burguesias nacionais ou o projeto chavista da ALBA (Alternativa Bolivariana das Américas ), a região se encontra cruzada por disputas entre as burguesias de cada país ligadas por mil laços aos interesses do capital imperialista que em alguns casos se localizam como agentes diretos dos EUA, e em outros regateiam as condições de saque com os distintos imperialismos.

A entrega das burguesias latino-americanas mostra a inviabilidade de projetos como o da Comunidade Sul-americana de Nações, que apesar de haver sido impulsionada há mais de um ano não chegou sequer a um acordo formal, e anuncia um novo fracasso para a reunião que se realizará no próximo mês.A burguesia latino-americana e os projetos de integração regional, incluindo o promovido por Chávez, são incapazes de romper e engendrar uma luta conseqüente contra o imperialismo, bem como de obter efetivamente a libertação nacional e social resolvendo o atraso, a miséria e a opressão dos povos da América Latina.

Sós os trabalhadores acaudilhando atrás de si aos camponeses pobres e os setores explorados e oprimidos, que vem de protagonizar distintos levantamentos como os recentes na Bolívia e Equador, podem abrir espaço para uma luta decisiva para romper com o imperialismo e expulsar os governos capachos no caminho de por em pé uma Federação de Repúblicas Socialistas da América Latina.

Mapa dos Acordos

1 - TLCAN: O Tratado de Livre Comércio entre os EUA, Canadá e México se firmou en 1994 e foi a base que os EUA utilizaram para impulsionar a primeira Cúpula das Américas com o projeto continental da ALCA.
2 - Chile e EUA firmaram um acordo bilateral em 2003
3 - TLCCA: em outubro deste ano os EUA firmaram um Tratado de Livre Comércio com todos os países da América Central mais a República Dominicana.
4 - TLC Andino: dos cinco países que compõem a Comunidade Andina de Nações, três estão negociando um TLC com os EUA (Colômbia, Peru e Equador) enquanto a Bolívia se mantém como observador e Venezuela fora.
5 - MERCOSUL: Os países do bloco (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) com a próxima integração da Venezuela somam 75% do PIB de todos os países da América do Sul e são os mais afetados pelos subsídios agrícolas dos EUA.

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